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A má educação, disfarçada de betalhice!

Começo por dizer que não tenho nada, absolutamente nada, contra a comunidade beta. Pelo contrário, acho-lhes alguma graça, e invejo para lá da vida  o cabelão liso-perfeito das “betas-verdadeiras”, ou aquele bronze-Carcavelos que dura o ano todo.

Reconheço-lhes qualidades, estejamos a falar do beto “praia”, do beto agrário, ou  até do pseudo-beto. O que casou com beto/a numa tentativa de ascensão social,  mas que NUNCA JAMAIS o será verdadeiramente. Porque a betalhice não se ganha.Ou se é ou não se é. Até podes ter dinheiro, casar com um “beto-puro-lusitano”, mas jamais o serás genuinamente. Ponto.

 

Isto para dizer que o meu ataque não é contra a classe de um modo geral. A minha indignação é para com aqueles que são antes SNOB-mete-nojo, os que sujam o nome da classe "queque" , e lhes atiram a reputação na lama, quando se julgam melhores do que os restantes...quando o síndrome de superioridade os espeta no cume da má educação.

 

 No outro dia,  estava na fila para jantar no SELFISH das Amoreiras (habitat natural da betaria alfacinha), e à minha frente um beto puro lusitano, mas daqueles que leva o legado mesmo à séria, começava o seu pedido.  Sapato mmocassim azul escuro, casaco de malha azul bebé,  cabelo loiro  lambido para a esquerda, disfarçando a calvice, enfim, o pacote completo! 

Nisto, a senhora que o estava a atender pergunta: quer contribuinte na factura? Tem cartão de cliente? O normal.

E foi aí que o senhor finório da quinta casa respondeu, do cimo da sua afetação máxima: Que inferno... você não vê que está uma fila imensa? Ainda perde tempo com mil perguntas idiotas?

A senhora /miúda, não sabia onde se enfiar. Ficou calada e depois pediu desculpa.

 

"Começou-se-me" logo a formar um formigueiro na ponta da língua,  a "subir-se-me" um calor pela goela a cima....

“É pena que o senhor, aparentemente tão bem formado, não consiga perceber que a funcionária só está a fazer o seu trabalho… que uma das perguntas que fez é obrigatória por lei, e que a outra pertence às regras da casa.  O senhor é que devia pedir desculpa pela sua falta de educação”, disse-lhe. 

Olhou para mim, espetou-me um garfo em cada olho (mentalmente) e respondeu apenas: Que despautério. E seguiu a sua vidinha.

E é isto que me irrita. Não é a betalhice… é a má educação disfarçada,  e afectada pelo mais irritante dos sotaques. Forçado e exagerado para que "da snobeira não restem dúvidas".

Esta superioridade ensaiada, vestida de azul cueca e lambida de cima a baixo, tira-me do sério.

Que nervos.

 

 

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