Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Às vezes o humor é mais importante do que o romance.

Isto de viver uma vida a dois é provavelmente o maior desafio que o homem resolveu inventar de forma a complicar mais um bocadinho a sua já bagunçada existência. Porque raio não andamos nós por aqui "a passear-nos" como faz a restante bicheza do planeta? Porque somos mais parvos? Enfim.

A relação a dois é uma coisa muito linda, muito jeito maneira, beeeem surucucu, cheia de prós que superam os contras... maaaaaas.... há dia em que só nos apetece pegar no outro e despachá-lo para o Tibete! 

Porque há dias em que tudo o que precisas é assumir um modo “me myself and I” . Porque às vezes queres muito que o teu homem vista a pele de "galã da Globo" e levas com um gajo engripado, que prefere ver a bola de sweat e chinelos, a fazer-te sentir a pessoa mais especial da vida toda! São vidas. Nem sempre estamos no mesmo mood, no mesmo cumprimento de onda, e a vida é mesmo isto. Longe, tão longe, dos cenários que o cinema nos conta. Sim, há alturas muito incríveis, momentos em que pensas “porra, tenho mesmo sorte”, e depois há aqueles a apontar para o “méh”. Faz parte.

Não vos posso falar de filhos, de casamento, nem dessas coisas que dificultam (e acrescentam) a vida a dois, porque ainda não passei por nenhuma delas. Neste momento, vivo o módulo “primeira casa comprada a dois” e pessoas… isto não é propriamente como o "Sexo e a Cidade" quer vender. Não há cá a cena de entrar na casa nova carregada ao colo pelo nosso homem, mas sim ambos a carregar caixas, caixinhas e caixotes, até  termos as costas feitas num fanico. Não há banda sonora quando a porta abre, mas há o barulho do berbequim, do aspirador, e três ou quatro gritos que perguntam “onde é que enfiaste o secador?” ou  “Olha que aquela caixa debaixo do móvel está cheia de copos! Vê lá se tens cuidado”. Por aí a fora.

Não há o acordar com a camisas branca dele vestida, imaculadamente engomada, e com pequeno almoço servido na cama. Com a luz do sol a entrar por um apartamento milagrosamente pronto e decorado. Nem garrafas de vinho no chão da sala nova…. seguindo-se de um fazer amor para lá de incrível, em cima da manta nova, estendida no chão igualmente novo. Not.

O que há é uma canseira pegada. Feliz, claro está, mas ainda assim acabada. Isto porque as primeiras semanas são passadas em arrumações, burocracias, papeladas, ligações de gás, luz, correspondência, orçamentos, obras… e outra catrefada de cenas práticas, que precisam ser discutidas e acordadas.

E tudo isto acontece de uma forma feliz, ninguém diz que não. Mas onde está o romance assolapado no meio disto tudo? E a boa da paixão latente? Pergunto.

As conversas giram em volta do que há por fazer, para gerir, do budget que se tem, das prioridades... e às vezes a expectativa, que mora lá no alto, fica um bocadinho amochada, confesso. Às vezes gostávamos, especialmente nós mulheres, que fosse tudo um bocadinho mais cinematográfico, e que o homem tirasse um closet da cartola, repleto de espelhos, cabides, e sapatos arrumadinhos em prateleiras brancas e inclinadas! Que chegasse a casa com mil rosas brancas, ou qualquer outro gesto absolutamente inesperado e arrebatador.

Se o amor está lá? Claro que está. Apenas cansado, dorido, farto de papelada e de imprevistos. Nesta fase, e acredito que noutras que ainda estão por vir, o amor faz muita falta, mas o humor é fundamental. É fulcral saber relativizar e respirar fundo. Dizer para dentro que está tudo bem, e que o reboliço vai passar. 

Em muitos momentos da vida aos pares o humor é mais importante do que o romance. E é uma piada que salva a situação, que dá a volta ao prego, ferrugento e torto. Mais do que rosas, do que chocolates, e do que declarações de amor.

O humor também é amor…  ainda que nós, gajas, estejamos sempre à espera do momento em que ele nos rapte de olhos vendados, e nos enfie num avião... com destino a Roma. 

Mas isto somos só nós: gajas a ser gajas…. sempre.

 

Há alturas na vida em que o humor é mais importante do que o romance. E foi isto que aprendei, muito recentemente.

 

Love*

Elza 

18 comentários

Comentar post