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Coisas a ter em conta quando comprarem uma Maison

Limitem a vossa área de pesquisa.  A sério pessoas, é mesmo importante que se foquem no sítio onde querem viver, e não apenas na casa que gostariam de ter.  Porque se a maison dos vossos sonhos estiver ali para os lados de Massamá, e vocês trabalharem em Vila Nova de Foz Côa, a modos que não dá jeitinho nenhum. Pensem naquilo que vos é fundamental, das zonas que vos enchem as medidas (dentro do budget, naturalmente. As Torres do Parque das Nações, por exemplo, a mim serviam-me que era uma maravilha), e das necessidades do dia a dia. Querem um ninho de amor perto dos pais ou dos sogros, tendo em vista futuras procriações? Força. Querem viver a pelo menos 349km da mãe do vosso homem, numa tentativa esperançosa de que o próprio de esqueça que um dia foi parido? Vão com tudo!  Precisam de transportes públicos à mão de semear? Não se aguentam sem pelo menos 3 varandas e um pedacinho de quintal onde plantar hortelã? Ponham a carne toda no assador! Mas saibam aquilo que vos é fundamental... não se aventurem em cenários como "aahhhh esta casa lindona fica fora de mão, mas se apanhar 3 comboios, 4 camionetas, e caminhar 2 quarteirões em passo acelerado talvez dê para chegar ao trabalho antes da hora de almoço". Esqueçam.

 

Estendam a perna à medida do lençol, como diria senhor meu pai. Isto é: sejam realistas no que diz respeito ao budget, também conhecido por Dom Carcanhol. Mentalizem-se que tuuuudo o que estiver para lá do orçamento "é florzinha"! Não se massacrem, basicamente!  

Se o vosso limite são 180 mil euros para quê marcar visita àquele T3 lindo de viver, que custa 250 mil? Não vale a pena. Mesmo que seja “negociável”. Procurem ali dentro dos vossos parâmetros, mais coisa menos coisa... bloqueiem os “HOME LOVERS” da vida ,que esses sim são os demónios das expectativas. Para trás, Satanás! 

 

Sintam a casa quando nela meterem os pés (primeiro o direito, diz o povo). Estão a ver aquela mariquice dos vestidos de noiva? Quando se diz que "o certo" é aquele que a mulher enfia pelo corpinho e sente um tremelico? Pois bem, é a mesma coisa. Sintam a energia da casa que querem comprar. Se não se imaginarem a viver dentro daquelas 4 paredes esqueçam. É porque não tem de ser.

 

Vejam a casa que vão comprar com olhinhos de ver. E este é talvez o conselho mais importante de TODOS.  Quando vos digo olhos de ver é o máximo do “ESBUGALHAMENTO OCULAR” que conseguirem. Especialmente se forem como eu, marinheiros de primeira viagem! Na hora,  olhamos para tudo assim meio por cima…começamos logo a imaginar onde colocar o quê, o que fazer de cada divisão, e não nos focamos naquele pequeno detalhe absolutamente irrelevante que mais tarde nos pode causar valentes dores de cabeça. 

Vejam tudo, percebam se a casa está preparada/ tem estrutura para aquelas obras que querem fazer, e a cima de tudo pensem que imprevistos acontecem!  Se tudo se resolve? Tudo. Se há sempre solução? Sempre. Mas numa fase em que têm 300 mil despesas a cair na conta, cada cêntimo poupado vale ouro. Cautela.

 

Dêem uma olhadela no aspecto da vizinhança. Tentem especialmente perceber quem vive por cima e por baixo. Se os vizinhos andam ali ao nível do Tiranossauro Rex, ou se vos saiu a sorte grande e são antes um casal de velhinhos taralhocos, que nesta altura do ano nem da cama sai, com medo de apanhar uma correnteza. Morrer dum "ar que lhes deu".  

Ainda no campo dos vizinhos, não se derretam em sorrisos nem dêem grande confiança. Especialmente no começo. A minha vizinha de baixo, por exemplo, tem uma filha de 17 anos que volta e meia decide colocar KIZOMBA na esperança de ser ouvida debaixo das 7 saias na  Nazaré.  Quando me cruzo com ela mando-lhe aquele olhar , como quem diz “se um dia te apanho sozinha furo-te um olho com as chaves da garagem” ! Ela percebe a mensagem. 

 

Controlem os níveis de entusiasmo. A sério. Eu sei que apetece muito investir na decoração, começar no tapete da entrada e acabar no ambientador da casa de banho dos hospedes, mas a menos que tenham um orçamento espectacular, tenham juízo. Mantenham sempre algum dinheiro de parte, debaixo do colchão, e não saiam desalvorados a comprar tudo o que vos parece absolutamente essencial à vida. Candeeiros, cortinados, almofadas e tapetes, por exemplo, não são propriamente prioridades absolutas. 

Nota: este ponto é inspirado no meu homem, que começou pelo tapete da sala. Bem lindinho, mas digamos que não era a urgência máxima. 

 

Preparem o vosso coração para o pequeno ACVP - Acidente-Cardio-Vascular-da-Pobreza! 

Não, não pensem que o valor do imóvel é a vossa despesa real... porque não é! Comprar uma casa é um investimento do camandro e implica o esvaziar do vosso pé de meia. Aos poucos.  Como se de um doente terminal se tratasse. Basicamente é ver a vossa conta sumir-se entre o valor do imóvel, o valor da escritura, as despesas bancárias, os custos de processo, os impostos ao estado, e muitas outras pequenas coisas que parecem nascer das árvores à medida que os dias passam. Se por ventura são como eu, e gostam de estar sempre confortáveis financeiramente, vão sentir ali uma ligeira falta de ar. Uma taquicardia miudinha. É mesmo assim. Muita calma.

 

Para terminar...aproveitem!  Pensem que estão a investir numa coisa que é vossa. Desfrutem da conquista, porque actualmente comprar uma casa é difícil para xuxu, e sejam felizes.

Não comparem a vossa casa com a casa da prima, do vizinho, da amiga. E quem diz casa diz tudo na vida... Façam a vossa "cena", dentro do que vos é possível e daquilo que vos faz sentido.

Não é um mar de rosas, dá muitas dores de cabeça e exige alguns sacrifícios. Mas ao final do dia, quando põe a chave na porta... vale muito, muito a pena. 

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