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Elas "esbanjam" saúde, ou promovem obsessão?

Como quase todas as mulheres que me estão a ler ( e alguns homens, vá) também eu sigo as "malhadas-gostosas",  promotoras de um estilo vida saudável na Internet. Aquelas giras-secas-super-happy-hit-girls que, diariamente, mostram os treinos madrugadores, as vidas sem glúten, sem lactose, sem asneiras, e sem "tudo", num conjunto de comportamentos e rituais que classificam como  “equilíbrio/plenitude" e que vistos à primeira podem perfeitamente ser confundidos com isso mesmo. Com uma vida saudável, focada, equilibrada, em harmonia com a natureza, com o biológico, com o puro, com o patati e patata.... com tudo aquilo que nós, comuns mortais, não conseguimos alcançar por muito que nos escalfemos. Pelo menos não àquele nivel.

 

Eu já tive um pé desse lado. Já acordei diariamente às 5h50 da manhã para treinar. Já malhei duas vezes por dia, sete dias por semana. Já passei o dia a controlar a qualidade daquilo que comia, já postei, já divulguei, e já segui religiosamente esse estilo de vida…. E talvez por isso me sinta mais ou menos no direito de vos dizer isto: essa não é uma vida saudável, essa é uma vida de obsessão, de ansiedades, de tortura e de cobrança psicológica.

Companheiras de luta, oiçam o que vos digo: alguém que tem como principal pensamento ao longo do dia aquilo que come,  não é equilibrado! Alimentarmo-nos bem deve ser sim uma preocupação diária, mas não o nosso primeiro pensamento matinal. O último antes de "cair na cama".  Exercício fisco deve ser feito, claro, mas passar a vida à procura de exercícios, a “ir” independentemente da hora, do dia, do tempo, viver em prol disso não tem absolutamente NADA de saúde implícito. Tem desequilíbrio, tem muitas vezes distúrbios escondidos, tem uma ansiedade IMENSA que se gera quando se sai daquela rotina, daquele plano, daquela equação previamente calculada e explicada “Tim Tim por Tim Tim” nas redes sociais. Tem alguma solidão, muitas vezes. 

Se pensarmos bem, essas mulheres que seguimos diariamente, das duas uma: ou vivem com alguém “igual a elas” e aí corre-se o risco de entrar numa espiral destrutiva (porque não há ninguém que nos tire daquela bolha), ou estão sozinhas. Porque NINGUÉM "normal" aguenta viver com alguém que não pode entrar numa padaria/pastelaria convencional para tomar o pequeno almoço. Que janta fora sempre atenta às regras, que se come sobremesa bebe água, que se bebe vinho não come hidratos… que acorda todos os dias cedo, em beneficio de um corpo escultural e escravo. Não há pachorra. 

Não estou a dizer que seja SEMPRE assim…. Mas desconfiem um bocadinho de todo aquele equilíbrio total e gritado aos sete ventos.  Não se torturem a pensar “como é que eu não consigo ser assim?” nem sejam demasiado duras com o vosso corpo. Não se achem fracas por não conseguir atingir aquela “plenitude” inabalável. 

 

Porque ninguém sabe exactamente o que acontece quando o instastory termina e acreditem: MUITAS das vossas “musas-plenas-fit-e-coiso” não vendem saúde. Vendem uma obsessão disfarçada, cheia de filtros, de seguidores, de likes e de patrocínios.

Será que são mais felizes por isso?

Tenho sérias dúvidas.

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