Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O "amor amor" não dá caneladas.

Quando era miúda perguntava muitas vezes à progenitora porque é que ela tinha escolhido o meu pai. Quer dizer, não era exactamente essa a pergunta, até porque eu (na minha condição de filha enamorada), reconhecia-lhe todas as qualidades do mundo e da vida, parecendo-me a escolha absolutamente óbvia e acertada.

A pergunta era outra. O que eu queria mesmo saber era como é que ela tinha tido certeza absoluta de que era ele! Como é que ela não tinha pensado qualquer coisa como ‘’este é bastante bem apessoado, gosto dele, beija bem,  mas e se me aparece um gajo melhor ainda? Se me apaixono ainda mais perdidamente do que já estou?’’. Pensava nisto muitas vezes.

No como é que as pessoas conseguem saber que encontraram a sua pessoa? Como é que podem ter tanta certeza?

E a minha mãe umas vezes ria-se, outras revirava os olhos e pedia-me que parasse com as 50 mil perguntas bombardeadas por minuto…. e outras ainda, quando lhe restava paciência, resolvia o assunto com um “tens de parar de querer encontrar todos os porquê desta vida, há coisas que nunca se explicam”, que a bem dizer não respondia a nada e me deixava no mesmo apoquento enervante.

 

Há coisa de 4 anos conheci o homem e como já disse muitas vezes não foi amor à primeira vista. Nem ao primeiro beijo, nem ao primeiro sorriso, nem ao primeiro “tricofáits” (também conhecido por fair l´amour ), nem ao primeiro coisa nenhuma. Apaixonei-me depois disso tudo, por isso tudo.

E nisto do gostar muito de alguém, várias vezes usei a expressão ‘’ele é o meu ponto fraco", referindo-me à” homenzarrada”  que me deixava as canelas bambas, que me tirava a fome ,o sono, ou que me espatifava o pequeno órgão vital .

 

Mas o "amor amor", não é fraco nem enfraquece. Não pontapeia nem nos dá caneladas. O amor amor é forte, é rijo! É determinado.

Descobri no "amor amor" o empurrão que nos tomba para a frente, mas que não nos estatela no chão. Que nos seus naturais e humanos mil defeitos nos torna mais destemidas, mais mulherões, mais pujantes. 

E assim respondo à pergunta que mil vezes coloquei à dona mãe, subtraindo um "super item" à minha interminável lista de "porquê?".

Sabemos que aquela é a nossa pessoa quando o amor "não é o nosso ponto franco". 

A nossa pessoa é essa. Mesmo que tudo acabe amanhã.Ou que não acabe nunca mais.