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Pedrógão.

Ontem acordei com a televisão a dizer que o número de mortos em Pedrógão já ultrapassava a meia centena de pessoas. Deu-se-me um aperto no coração, mas o dia seguiu. Fui ao ginásio, sai para almoçar com a família, sempre atenta às notícias mas com o ‘’natural’’ distanciamento de quem (só) acompanha através da televisão. De quem ‘’tem muita pena’’, mas que continua na sua vidinha, de quem ‘’nem quer imaginar o que será’’, enquanto está seguro, tranquilo, e longe , tão longe, de perceber o que estás pessoas estão a sentir.

 

Durante a tarde, por motivos profissionais, tentei contactar as vítimas desta tragédia. Consegui falar ao telefone com moradores de Pedrógão e de Figueiró dos Vinhos… e terminei o dia destruída por dentro. Ouvi pessoas a gritar, a dizerem que estavam a dar apoio a gente que procurava os familiares desesperadamente, que acabará de saber que os pais, os filhos ou os amigos tinham morrido queimados. Em casa, na estrada…

Não vos sei dizer o que é conversar com estas pessoas e sentir-lhes na voz um décimo daquilo que lhes vai no coração. Na alma, ou no que resta dela.

 

E estamos todos solidários porque somos, com todos os defeitos que temos,  um país que sabe unir-se nas horas de aperto, que se junta e que se ajuda. Mas a boa da verdade é que para aqueles que ontem me deram uma palavra ao telefone isso de pouco ou nada serve. Não muda o que lhes está a acontecer, não devolve as pessoas que o fogo engoliu, os tectos que roubou.

 

Não somos nada nesta vida. Não controlamos porra nenhuma. E estas pauladas no estômago, de vez em quanto, lembram-nos disso.