Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Por mim amontoávamo-nos todos. Uns em cima dos outros.

Já aqui disse muitas vezes que a família que Deus me deu tem sido  a minha sorte grande!

Se fechar os olhinhos, consigo imaginar o Senhor Todo Poderoso, de dossier na mão, a colocar cruzinhas e certos em cima das nossas cabeças, traçando o destino de cada um. Qualquer coisa como: este vai ser teso que nem um carapau, mas dono de uma saúde de aço! Já aquele vai nadar no papel, ter uma grande carreira, mas uma mãe do pior, má como as cobras, seca e sovina! 

O outro? hum… deixa-me cá pensar...o outro vai ser um ilustrado, lindo de viver, loiro de olhos azuis, rico e bem sucedido...  mas quando bater os  40 e picos vamos buscá-lo,  que isto não há cá pão para malucos 

E assim sucessivamente, até chegar à minha pessoa. Estando num dia ''sim'', sem nuvens e um céu todo azulinho-manso, Deus Nosso Senhor,  feito ‘’mãos largas’’ atribuiu-me a melhor família do mundo! ‘’Ora toma lá’’, disse ele.  ‘’Depois lá mais para a frente logo vejo o que é que faço contigo’’, completou!

E assim foi.

Isto para explicar (e às vezes até me assusta dizer isto) que desde que me lembro que a minha família se mantém linda e intacta. Que do núcleo duro nunca ninguém morreu e que por isso o meu pequeno órgão vital vive livre de desgostos e sem ''faltas''. Cheio, a abarrotar.

 

A verdade  verdadinha  é que a minha família está atulhada de velhotes! Tudo ali  na casa dos 80, mas ninguém arreda pé! E por mim isto mantinha-se assim por mais 50 anos. No mínimo. 

Custa-me muito pensar que os meus avós, e  tios mais queridos, estão a entrar na reta final. Que mais ano, menos anos, vão fechar os olhos e tornar-se apenas uma recordação que repetimos aos mais novos,  enquanto ''personagens'' de uma vida que eles não conheceram. Porque como diz o meu avô Manel, ‘’os mais novos vão empurrando os mais velhos’’, que caem ribanceira a baixo. É a lei da vida.

Eu sei que é…. Mas custa-me, o que é que querem? Por mim, não havia cá empurranço nenhum. Ninguém partia e ficávamos todos, muito apertadinhos, no nosso quadradinho de mundo. Caladinhos que nem ratos, a ver se a vida se esquecia de nós… a vida não, a morte!

Há pouco, falava com a minha prima Milena que me dizia ser normal. Que o nascimento da nova geração é um doce com reverso. Que para nascer a minha sobrinha e os meus primos pequeninos,  é preciso deixar partir os nossos avós, que agora já são bisavós deles. Disse-me também que 30 anos lhe trouxeram esta visão serena da vida. Esta aceitação que ainda me falta. TANTO. 

 

Porque se eu manda-se alguma coisa, ou se tivesse acesso ao tal dossier do Senhor Deus do Céu, escrevia  uma ‘’notinha’’ muito discretamente no fundo da nossa página. Qualquer coisa como: ‘’Estes quantos desgraçados ficam aí em standby,  por tempo indeterminado. Um dia vamos buscá-los, mas para já deixai-os estar que assim como assim não incomodam ninguém’’. E pronto, era isto.

Tudo ao molho…. Apertadinhos na mesa de jantar, quase sem mexer os bracinhos, ao colo uns dos outros se preciso fosse. 

 

 

Era bom. Era tão bom.... 

5 comentários

Comentar post