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Quase 3 anos de Mati.

A Mati(zinha) tem quase três anos. Já sabe as cores todas, os números, e conjuga verbos como gente grande.

Usa todas as palavras e mais algumas, e dispara perguntas “à força toda”, acreditanto que nós, adultos, temos todas as respostas para lhe dar.

“O que é a natureza, titi?”, quis saber no outro dia. Imagine-se!

Sabe as modas do cante Alentejano e de vez em quando tem sotaque brasileiro,  porque a "Peppa pig " lhe ensinou. Tem noção de que somos muitos e de que estamos todos espalhados por uma serie de terras diferentes, ainda que a noção de quilómetros lhe escape e não compreenda as minhas ausências. 

É gulosa, magricela, meiga e “espigadota”. Tem resposta para tu-do na ponta da língua (como senhora sua tia) e (pensa que) é senhora do seu nariz. “Porque já não sou  bebé”, argumenta.

Já não usa chupeta, acredita em fadas, em princesas e bruxas, e volta e meia lembra-se do Pai Natal,esse grande amigaçalho que desapareceu sem que ela perceba muito bem como. "Ainda falta muito para o Natal", repito-lhe. Mas  "muito" pode ser relativo, e para ela o futuro é sempre "amanhã". Que sorte.

É vaidosa da quinta casa, quer ter as unhas pintadas e usar batom. Gosta de girafas, de douradinhos com massa e de cor de rosa. De varinhas mágicas e de sereias.

Tem maior fascínio pelo “senhor seu tio” do que pela “titizinha” o que às vezes me encanita, e outras enche o coração... por saber que os “dei” um ao outro. Que ela terá sempre o melhor tio do mundo…que ele descobriu um amor bonito. 

A minha sobrinha tem quase três anos, diz que sou  linda, que gosta muito de mim, e que se quiser também posso ser uma princesa, como ela é. 

 

Eu, a titi que vive em Lisboa, na cidade dos “comboios” e do jardim zoológico. Eu, que só me apetece enche-la de beijos e engoli-la num abraço infinito... Eu, que me custa horrores acreditar que passaram três anos. E que a minha ratinha pelada é já uma menina. 

 

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 Quase três anos de Mati.

E já nem me lembro bem como era a vida antes.