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Um sentimento : REMORSOS.

Poucas vezes vos falo da minha sobrinha Matilde porque tento respeitar a vontade de senhores seus pais, que neste caso passa por não escarrapachar a cara (ou a vida!) da miúda na internet.

Contudo, não é novidade para ninguém que a ‘’Mati(zinha)” é a minha pipoca do cinema, a minha bola de Berlim na praia, a  nutella à colherada....que é como quem diz  a melhor coisa que aconteceu neste coração pouco dado à criançada.

 

Sofro um bocadinho por não estar mais presente (quase 400km nos semparam),  por passar meses sem a ver, por perder tanta coisa que passa tão depressa...  penso muitas vezes que este amor assolapado dificilmente será correspondido porque “a lidação faz feição” e eu sou muito mais a titi das vídeo-chamadas do que das brincadeiras na praia, na piscina… no quarto dos brinquedos.

 

No outro dia estávamos em facetime  e mostrava-me um brinquedo novo (uma daquelas caixas registadoras que em crianças adoramos, porque não há profissão mais cool do que a da senhora que passa as compras de supermercado pela maquineta que faz ‘’pi’’), e eis que de repente  a miúda diz: Titi tu nunca vens à minha casa brincar com os meus brinquedos (num tom muito bebé-beicinho que me destruiu por dentro).

Não vos sei explicar… aquilo bateu-no no órgão vital de uma maneira que só me apeteceu chorar (ainda apetece).

 

‘’A titi promete que vai…’’, respondi tentando não me desfazer em baba e ranho.

‘’Vens amanhã?’’, perguntou.

‘’Não Mati, a titi amanhã vai trabalhar’’.

 

E a conversa terminou com um olhar estilo “vais sempre trabalhar, olha a novidade”.

E bem sei que as crianças dizem as coisas sem pensar muito, e que passados dois minutos já nem se lembram. Sei que ela não sofre com isso (ainda nem tem 3 anos). Nas sofro eu.

Eu, que tenho aquele “tu nunca vens brincar como os meus brinquedos” em loop na moleirinha há dias…

Eu que vivia descansadinha da vida até ser apanhada por esta catrefada de remorsos, trazidos por um amor sorrateiro e malino. 

 

Obrigada querido irmão por me teres dado uma sobrinha incível. Graças a ti vivo toda esfrangalhada. 

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