Não sei se é da água que bebo (litros), se do esforço que faço... mas sou incapaz de comer o que quer que seja.
Uma horinha depois...bom, aí a conversa já é outra! ''Abre-se-me'' um saco roto algures no estômago, e só me apetece comer!
Mas quando é que inventam ''Bolas de Berlim pós-treino'', alguém me diz? Ou, por exemplo, ''farturas proteicas'', cravadinhas em açúcar e canela adelgaçantes? Quando???? Eu respondo: nunca! Era uma grande alegria na vidinha de muita gente, mas parece que ninguém quer saber.
Enfim. Enquanto esse milagre da nutrição não se dá uma gaja vai jogando com o que pode, que é como quem diz, tentando comer bem, com sabor, e de preferência com um docinho (ainda que fingido) à mistura!
Assim sendo, mais ou menos quarenta minutos depois de treinar, bebo o meu batido de banana. Não, não tomo whey não sei das quantas, nem proteína xpto-isolada, nem nada que se pareça.
Basicamente, misturo uma banana, bebida de arroz (mais ou menos 200ml) e uma colherada de canela (o tal ''açúcar fingido''), na liquidificadora. É bom para recuperar os músculos, ajuda a evitar lesões, e fresquinho marcha que é uma maravilha!
Às vezes, vai também uma mão cheia de espinafres, só porque quanto mais verde mais uma pessoa se sente a dar tudo na saúde! O efeito psicológico também conta :P
Se é bom? É. Mas o que eu queria mesmo, mas assim mesmo, mesmo... era meia dose de choquinhos fritos de Setúbal, e coca -cola com gelo e limão.
Se me dessem agora 50 mil euros para reconhecer a cara do vizinho da frente, não era capaz. Nem do vizinho do lado, nem de baixo, nem de qualquer pessoa que viva aqui no prédio. Sei que há cães a dar ''cum-pau'', até porque o cheiro a ''bafo canino'' está entranhado no elevador, mas e o resto? Não faço a mais pequena ideia. Podia ser o Papa Francisco a descer comigo de manhã, que ainda assim não daria conta. Juro.
Isto para dizer que nenhuma cara me é familiar. São sempre todos novos no bairro, acabadinhos de chegar, mesmo que lá vivam desde o tempo da Maria Mijona!
Há dias, estava a estacionar, quando o senhor arrumador (que me deve achar tão aselha que já nem tenta orientar a manobra), vem ter comigo não para pedir a maldita ''moediha'' , mas para me cumprimentar: ''Então vizinha, boa noite. Como é que vai isso? Mande lá um forte abraço ao seu namorado''.
Oi? Parei na hora! ''Como é que o senhor sabe quem é o meu namorado?'', perguntei já a achar que o homem me andava a observar há semanas, a decorar os meus horários, e a preparar-se para me apanhar sozinha em casa, entrar pelo terraço e apoderar-se do meu corpinho santo!!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
''Ora como é que sei...porque tenho olhos na cara, não?''. Respondeu.
O senhor arrumador (isto contado pelo homem, porque eu nunca tinha reparado) está ali, naquele mesmíssimo lugar, todos os dias, há pelo menos um ano! É por isso natural que saiba quem somos. Faz sentido.
Mas então e o ''mande lá um forte abraço ao seu namorado'', como se tivessem feito tropa juntos ou fossem ''compinchas'' de futebolada ao Domingo?
É simples. De vez em quando (aposto que é quase todos os dias) o homem dá-lhe um cigarro ou outro. Em troca, o ''amigo do peito'' vai deitando um olhinho ao carro dele, e pelos vistos ao meu também! Tudo muito lindo, muito certo, não fosse agora achar que tem ali, mais do que um dealer, um BFF para a vida!
Desde esse dia, sempre que me vê chegar, mesmo que esteja na outra ponta da Avenida, levanta o braço e grita ''bom dia vizinha! Que tal vai a vida? E o namorado?''.
E eu lá respondo que ''vai indo'', e lá fico de mandar '' aquele forte abraço'' ao homem.
Resumindo e concluindo: posso não fazer ideia quem dorme aqui na porta ao lado, mas sei exactamente quem controla os esquemas na rua. Quem domina o parquímetro!
Tenho cá para mim que um destes dias o ''vizinho'' nos propõe sociedade no ''business'' da arrumação. E olhem que era capaz de nem ser má ideia.