''Só é verdadeiramente livre quem não tem afectos''
li já não sei onde. E porra, é tão verdade!
Acho que os afectos são as mãos que apertam o pescoço do coração até que lhe falte o ar...ou porque é que acham que o desgraçado está sempre todo encarnado ??? É porque vive espremido,''estrafegado''! Coitado.
Desde que a minha sobrinha nasceu que o amor aperta a goela do meu pequeno órgão vital. Com força, muita força! E o aborrecimento que isto é? O simples que era viver longe e um bocadinho solitária antes desta criaturinha vir ao mundo?
Não é que não sentisse saudade da família, sentia... mas era um sentir diferente. Menos urgente. Apaziguado pela certeza de que o amor é reciproco e inabalável.
Com a Matilde não. Com a Matilde dói mais e dói rápido. Dói e pronto.
E às vezes, quando penso em fazer a malinha e ir embora (do país entenda-se) este amor tão recente e tão avassalador prende-me os pés. Cola-os ao chão. Ao meu chão.
E depois olho para eles, o meu homem e a minha menina, e já não sei se isto é estar preso ou se é apenas ser feliz. Duas coisas tão diferentes uma da outra e tão parceiras no meu sentir.
O amor é a maior das prisões, é mesmo...mas é também a maior alegria da vida.
E pobre de quem é solto no mundo, de quem tem um coração pálido. Ou afortunado, sei lá.
