Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Isto aconteceu.

Há coisa de uma semana, estava no balneário do ginásio, a acabar de me arranjar, quando a rapariga da limpeza pára o que está a fazer e fica ali especada a olhar para mim. Ignorei por 3 segundos e depois, claro, perguntei se precisava de alguma coisa!

Muito envergonhada, lá disse que estava a ver os meus produtos de maquilhagem (eram estes de que falei aqui) e que precisava muito de um corretor de olheiras.

Lá lhe expliquei que não uso (se bem que ando a dormir TÃO mal, que na volta vou ter de comprar), mas que a marca KIKO era muito fixe,  que tinha bons preços, e que havia uma mesmo pertinho do gym. ''Pronto, assunto arrumado, goodbye Maria Ivone'', pensei. Quando ia virar costas começa o seguinte diálogo:

 

Ela: Pois, mas sabe que eu sou muito feia. E não gosto de me ver com nada. Nada me fica bem!

 

(A mulher não é feia. Tem para aí  35 anos, raça negra, redondinha, mas não é nenhuma Rata-Toupeira).

 

EU: Ahhh não diga isso!!! Vá à praia, apanhe um sol, e puxe essa auto estima lá para cima. Olhe para mim?  Ainda não tive férias, estou super branquela, também só ''lá vai'' com um pozinho na cara!!! 

 

Ela: Eu não vou à praia. Sou preta, sou gorda, e tenho uma cicatriz na perna. Fica tudo a olhar para mim...

 

(JURO-VOS que isto aconteceu).

 

Eu, sem saber muito bem o que dizer: Não diga disparares! As pessoas na praia não estão a olhar para nós! Nós é que achamos que sim e estamos ali todas encolhidas… as pessoas estão na vida delas e nem querem saber. Puxe essa auto estima para cima. Vá!!!!

 

Ela:  Pois… mas sou feia. E descobri que o meu namorado tinha outra… e um filho com ela!!!! E ainda me sinto pior. Estamos separados há uma semana. 

 

E sempre que eu pensava que tinha acabado, pumbas, mais uma desgraça! Achei então por bem calar a matraca. Sorri, arrumei ''a viola no saco'' e lá fui, a sentir-me uma espécie de Beyonce de Felicidade, e aquela pobre alma uma Rebeca de Reboleira.

Ontem, depois do treino, lá veio ter comigo, muito murcha, dizer que tinha visto o dito cujo com ‘’a outra’’ ( acho que a outra era ELA, mas pronto!) e que era branca... e mais gira! E tudo e tudo e tudo.

 

E lá mandei duas ou três larachas para o ar, voltei a sorrir desajeitadamente e vim a pensar nisto:

Que há gente a quem tudo acontece, é certo, mas que a falta de amor próprio é  um íman poderosíssimo na atracão da desgraças. Porra… se eu estava ali, a bater com a  cabeça nas paredes,  por um qualquer filho da mãe que ainda por cima me tinha enganado! Pior, se eu me sentiria diminuída por uma gaja que mesmo sabendo que o tipo tinha uma amante continua a viver com ele e a ''passear-se'' na rua! 

 

Jamais em tempo algum! 

 

Auto estime, senhores, auto estima!  É o segredo da felicidade? Não é. Mas é meio caminho andado para uma cabeça limpa e uma alminha resolvida. Que não resolve tudo, mas ajuda muito. 

 

Love*

Elza 

 

 

 

É isto.