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''Talvez um dia, num pic nic, para os lados de Serra de Sintra'' . NOT

Quando o Verão faz as malinhas e a malta começa a sentir o ‘’fresquinho no pé’’, ao saltar da cama, é sinal que se acabou o que era doce! É o Outono a chegar e a pedir colo, conforto e manga comprida. Manta nas pernas e sapato fechado,  porque já nada sabe bem ao ''leu''. Quando damos por nós já não há marca de biquíni no corpitxo, estamos antes brancas, pálidas e desbotadas...outra vez! Como se o Verão fosse uma tinta rasca que a água do banho leva em meia dúzia de esfregas! Uma tristeza.

Contudo, nem todos os campos ‘’Outonais’’ são de se jogar fora, e há muita coisa boa no chocolate quente bebido ao serão, na castanha assada, nas tardes de amigos e de torradas... na troca dos trapos ''leves livre e soltos'' pelas malhas, pelos casacos e tudo e tudo. Eu gosto muito! Desde miúda.

 Lembro-me de ser criança e de adorar sentar-me na cama da minha mãe, enquanto trocávamos as roupas da estação. Eram sacos e mais sacos... meus, dos meus pais, do meu irmão e às vezes até dos meus avós. E experimentávamos tudo, e vestíamos, despíamos, riamos e surpreendiamo-nos com aquela peça que já não sabíamos que existia. Que guardámos desde a era dos Afonsos porque acreditámos um dia voltar a vestir!

Todos temos uma camisola que ''ainda vai estar na moda'' e que por isso deixamos  estar sossegada nas catacumbas da arrecadação. Ou umas calças de ganga ''que ainda nos vão servir'', mesmo que tenham a cintura tão, mas tão baixa, que se nos distraímos muito corremos o risco de apanhar um pelinho púbico a lambareirar cá para fora! ( A sério, que moda foi aquela, nos finais dos anos 90, que uma pessoa usava as calças na linha do pipi???). 

Ontem, em casa dos meus pais, aproveitei os primeiros dias  cinzentos para trocar os trapos! Não apenas para trocar o Verão pelo Inverno, mas para fazer uma daquelas limpezas a fundo, jogando fora aquilo que não nos serve... mais, aproveitando aquilo que está bom e doando a quem precisa (TÃO) mais do que nós.

E assim de repente posso dizer-vos que ainda tinha nos ''arquivos'' pares de calças da minha adolescência. Roupa que me serve (uhhh uhhh) mas que pertence à puberdade e que já nada tem a ver comigo hoje. Que nunca mais voltarei a usar e que está como nova! Só calças Salsa foram para aí 10 pares!  T-shirts com mais de 10 anos. Casacos, casaquinhos, saias, e sainhas... sacos e sacos!!!! 

 

Enfim. Cada vez me faz mais sentido este exercício de desapego e me convenço mais de que precisamos de muito pouco para sermos felizes. Ontem, livrei-me da maioria dos trapos que não uso, que não me servem, que não acho mais graça, que estão cheios de recordações mas que não passam disso mesmo: de trapos. 

 

Vim cá só dizer que Outono, no meu mundo, é sinónimo de batata doce, sim, mas também de organização. De arrumações, uma espécie de ''espanta-tralhas''. 

Por isso, não guardem aquela camisola que um dia podem querer vestir numa festa temática ou num pic-nic para os lados da serra de Sintra. 

 

Peguem nela, enfiem-na num saco, e entreguem a quem precise. A quem a use já amanhã, feliz da vida. 

 

Love*

Elza 

 

 

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