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Amar é: reprimir a foca (de arrastadeira) que há em ti.

Um dos meus grandes pavores nesta coisa do mais belo amor é definitivamente a partilha da vida doméstica. Sim, porque dormir debaixo do mesmo teto é muito engraçado mas tem tanto de simples/ fácil, quanto a pergunta para os 50 mil euros no Quem quer ser Milionário.

Por muito tempo que passe, não me consigo adaptar àquele grau de intimidade extremo, que conduz muito par romântico ao momento do ‘’pum sem complexo’’. Da depilação pontual e sazonal. Do testículo coçado à cara podre! Credo!!!

Não me parece nada bem a partilha do cesto da roupa suja, por exemplo, e saltam-me os olhinhos cá para fora quando vejo o homem pendurar-me a boa da cueca no estendal! Fervem-me as entranhas, o que é que querem!?

Mesmo assim, e chutando todos os medos para canto, lá fui viver com ele. Na esperança de que a ‘’intimidade’’não mudasse a forma como olha para mim todos os dias. Na esperança de que nada mudasse depois de descobrir que de vez em quando enfio o dedo mindinho dentro do frasco da Nutella, ou que sou capaz de deixar a loiça na cozinha por lavar dois ou três dias sem remorsos.

São hábitos de quem viveu muito tempo sozinha, e de quem nunca teve de preocupar-se com a reposição imediata do rolo de papel higiénico ''porque pode vir alguém logo depois''. Um aborrecimento!

Pois que no meio de tantas possibilidades, nunca me passou pela cabeça que o grande motivo de discórdia no meu ajuntamento fosse nada mais, nada menos, do que o meu andar matinal. Sabem aquele arrojar desajeitado das focas e afins? Pois bem, essa sou eu quando acordo: Uma foca desajeitada, de arrastadeira, e meias felpudas. O homem, que se levanta mais tarde, diz que acorda todas as manhãs com o barulho dos meus pés a rastejar pela sala. E isto desgasta  uma relação… claro está!

Juro que nunca tinha percebido tal coisa, e pior, constato com  surpresa que sou incapaz de andar de outra maneira!!! Que a foca está dentro de mim, que me é natural, e que quando o tento controlar dou por mim em passo de marcha. É só ridículo!

Todos os dias faço um esforço para melhorar mas até ver está tudo na mesma. Mal bate as 7 da matina, a foca de arrastadeira levanta-se e acaba-se o sossego!  

 

Se sinto remorsos quando o homem acorda? Sim, sinto. Mas depois, lembro-me das 30 mil vezes que perguntei ''tens a certeza que queres mesmooo ir viver comigo?'' antes de nos mudarmos, e passa-me logo.

Temos pena.