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Avó.

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 Às vezes, enquanto ''budegas'' nas garagem, peço-te que prometas que viverás para sempre. E tu reviras os olhos, sem me ligares ''meia'', e depois num resmungo franzido dizes-me que sim. Que prometes.

Não sei quanto tempo durará o nosso ''para sempre'' mas sei que de velha nunca partirás, avó. Porque olho para nós e sinto-nos duas miúdas. E talvez quem esteja a ler isto não veja o mesmo que eu, até porque toda a vida gostaste de fingir ''má cara'' nas fotografias (é de família, a tia Toninha é igual).  Mas eu vejo. Vejo sempre. Vejo para sempre. Olho-me a mim com 25 anos, e às vezes 100 mais do que tu. Vejo-te a ti com 83, tão jovem que nunca te cansas. Que nunca te queixas.  

 

Esta tarde passei pela florista e vi amores perfeitos. Lembrei-me do nosso quintal. Fiz sopa e juntei-lhe um ovo picado para ''dar gosto'', como tu também fazes. Troquei o nome de uma amiga, e depois disse-lhe que estou a ficar como tu, que nunca acertas no nome da neta... e assim, no que me lembro, no que me ensinas, e no que nos parecemos, se constrói o nosso infinito. Ainda que a minha sopa não seja tão boa quanto a tua, nem eu tão jovem quanto tu sempre serás.

E serás para sempre, avozinha. Isso quem (te) promete sou eu. 

 

ps. A tua sopa é mais gostosa porque enfias uma colherada de manteiga lá para dentro, como a mãe também faz, assim meio à ''socapa''. Não penses que me enganas.  Doninha.

 

 

Escrevi este texto a 22.06.2015. Hoje é dia dos avós e lembrei-me de o agarrar outra vez.