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''Confia no universo'', foi a frase que me repeti.

Tentei vir aqui ontem, em pleno ataque cardíaco, escrever qualquer coisa que traduzisse o fogo de artifício que me explodia no peito. Não consegui... realmente as palavras não valem uma uva passa, nem têm pernas para acompanhar a corrida de emoções que cá dentro se atropelam. Porra, que alegria! 

Ontem, fez-se história em Paris. Por tudo, numa sucessão de acontecimentos que podiam ter sido trágicos mas que viraram poesia. Uma espécie de ajuste de contas que para quem, como eu, acredita no poder do  universo, é relativamente fácil de explicar. Acabaram-nos com o Ronaldo (pensavam eles!), receberam-nos com um estádio a abarrotar de azul, com uma arbitragem cega de um olho (mas que de ''Camões'' nada tinha), e mesmo assim... ganhámos o jogo.  Aliás, foi aí, vendo o nosso capitão caído no chão e lavado em lágrimas, que tive a certeza e que senti: era impossível não vencer o jogo. ''Confia no universo'', repeti para mim e depois para todos aqueles que viam o jogo comigo. Que riam da minha crença inabalável... que duvidaram da força ''daquilo que tem de ser''. Do ajuste de contas que a vida não esquece. 

 

E lá estava ele, o golo! Na casa deles, na cara deles!  Por Ronaldo, mesmo sem Ronaldo. 

 

E há sempre quem diga que isto é tudo um grande exagero. E é. Oh se é! Mas não é isto que nós somos? Um povo exagerado, dramático, com futebol a correr-lhe na massa do sangue? Sabemos nós ser outra coisa? Não. 

Ontem, gritei o golo mais feliz da minha vida. E hoje, a vida mudou? O país está mais justo, mais honesto e menos corrupto? Não está. 

A vida continua exactamente no mesmo ponto em que parou, ontem, às 20 horas. 

Mas a felicidade que se sente no momento em que a puta da bola fura a rede... essa é a maior e a mais genuína das felicidades! Do amor, da estupidez humana, para quem assim quiser chamar-lhe. Mas é... 

 

 Nisto do desporto ou se sente ou não se sente. Ponto. E eu, podendo escolher, manter-me-ia sempre do lado dos irracionais, dos exagerados, dos que sentem isto como se fossem eles que ganhassem o dinheiro. Do lado dos que choram, dos que vivem!!! 

 

E aqueles que não ligam meia, os que aplaudem mas não sofrem, não gritam, não saltam da cadeira, ou caem de joelhos no chão.. esses  nunca vão saber o que é este sentir... e disso sim sinto pena. Porque ninguém devia morrer sem saber o que nos fura o peito no breve e infinito instante da vitória. Quando a bola entra na baliza e o fogo de artifício rebenta.

 

 

A ti, Ronaldo, obrigada. 

 

Este país é TODO teu. Por direito e por vontade. E o resto #quesefoda! 

 

 

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