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Do coração.

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 foto do meu instagram: pedircomjeitinho 

 

Ultimamente, quando vou ao Alentejo, Sul que dá Norte ao meu pequeno órgão vital, sinto um apertão no peito. Uma cotovelada nas costelas, uma mão a espremer-me o nariz e a tapar-me a boca, que me causa falta de ar.

Não o partilho porque também não sei muito bem a quem dizer isto. Soa-me a triste e o Alentejo não é triste. Não pode ser...já olharam bem para ele?

Não o sinto descaradamente. Sinto-o o miudinho, à partida, lá bem nas catacumbas do corpitxo, sem que ninguém se dê conta. E abafo-o em café de amigos, em abraços  e petiscos de "mata-bicho" e de "mata-saudade". 

 

O Alentejo é o meu calendário da vida... é o meu tempo em câmara lenta e a fotografia que regista a mudança. Na correria em que ando sempre, quase não dou pela gazela do tempo que corre desalmada. E sinto-me sempre miúda, e vejo sempre os meus pais com 40 e poucos anos. Os avós e os tios no auge da energia e da "rijeza" alentejana. Ao longe... ao telefone.

 

Chegar ao Alentejo é dar de caras com a finitude. Com a distância inevitável de um tempo que não volta.... nunca mais. 

E a minha avozinha ocupa cada vez menos espaço dentro das roupas. As minhas tias andam cada vez mais devagarinho... os meus amigos estão casados, têm filhos e pediram empréstimos ao banco para comprar casa! 

O Alentejo que me criou vive dentro de mim. Na minha memória e na necessidade que tenho de voltar a ele. De me agarrar à barra da saia.

O meu Alentejo, aquele que é mesmo meu, está exactamente onde o deixei, mas não como o deixei... 

E há dias que isso me parece perfeitamente normal. Outros em que me dói no coração. 

Caraças, Deus nosso senhor. Porque me fizeste tu tão mariquinhas?