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É a "calmaria" que me enerva. Só um bocadinho.

 

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Toda a gente descreve a minha mudança "do centro para a periferia" como um benção dos céus, ao nível da calmaria e da tranquilidade. Uma paz que vale "ourinho" e que consiste na abolição dessa chatice chamada "trânsito" , das buzinadelas e dos palavrões que saem disparados dos vidros do carro, às vezes do meu carro e da minha boca, confesso,  que isto de levar com taxistas "donos do pedaço", todo o santo dia,  é um calvário! 

Pois que sou exactamente como canta o nosso Paulo:  "uma lady na mesa, uma louca na estrada". Tal e qual. 

 

Dizia que as pessoas olham sempre para mim com uma pontinha de inveja quando lhes digo que ouço o canário da vizinha de manhã. Que às vezes saio de casa e só escuto o vento... que tenho o rio ali à mão de semear.

E eu  abano a cabecinha concordando muito, e tento convencer-me de que é disso que o pequeno órgão vital precisa:  do descanso e do conforto do "não se passa nada", já canta o Piruka, essa pessoa que o  homem me deu a conhecer numa tentativa falhada de me fazer sair da minha gruta de clássicos velhoooootes (e alguns pimbas), e mergulhar com ele no mar super cool do pop do rock e das cenas (o Piruka enquadra-se na categoria "das cenas", claramente). Somos o par perfeito, não somos? 

 

Isto para dizer que viver fora do centro tem coisas boas. Claro que tem! O carro estacionado à porta "é um luxo". Ter uma casa muito maior, escritório/closet.... quarto de hospedes, dá um jeitão! Tudo pagando um terço daquilo que pagaria no coração de Lisboa.

E estas são vantagens que quase sempre fazem valer a pena, mas pá... não me venham com a lenga-lenga da paz e do silêncio! Porque a mim esse sossego desassossega-me, e essa paz toda enerva-me! 

Não sou uma pessoa das yogas, da tal da meditação, de musiquinhas no instastory acompanhadas de frases inspiradoras e de jarros a despejar sumos verde alface no copo. Não-sou.  Eu sou a bagunça da alma,  que está sempre mais ou menos como as almofadas do sofá. De cabeça para baixo, espalhadas, caídas no chão ou perdidas debaixo da manta polar. Um verdadeiro enredo! 

A quem é que eu quero enganar? O equilíbrio desinspira-me profundamente, a rotina enxovalha-me o coração. Eu sou miúda idosa, sou... mas não sei viver sem reboliço por dentro e por fora. E é por isso que preciso muito de Lisboa, Lisboa!  De pessoas aos encontrões, de filas para entrar no parque de estacionamento e de "toques" que se dão nas subidas inclinadas do Chiado, porque nos falha o ponto de embraiagem. 

Preciso muito reclamar porque fui dar uma volta, lanchei, comprei umas calças, bebi um café, dei moeda ao arrumador e gastei para cima de um dinheirão... ali em menos de um farelo. Preciso ver luzes e imaginar o que se passa na casa das outras pessoas. Preciso chegar antes da hora com medo de chegar atrasada porque a cidade não é e fiar! 

 

Gosto muito da minha nova casa por uma mão cheia de motivos. Gosto!!

Mas a paz e o silêncio não são, definitivamente, um deles.... e chateia-me que a humanidade não compreenda isto! 

 

Alguém se identifica? 

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