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É essa a mãe que queres ser? Desculpem lá mas é.

No outro dia alguém me perguntava se não tinha medo de engravidar e me tornar numa daquelas mães que não conseguem  ir buscar os filhos à escola. Em primeiro lugar permitam-me que manifeste a minha surpresa (de olhos esbugalhados, sim porque já não estou a franzir a sobrancelha desde que declarei guerra  às rugas dos 30!) perante a separação “daquelas mães” da molhada onde se encontram as restantes progenitoras. As valentes! "Aquelas (reles) mães", postas de parte, encostadinhas à parede, segurando uma ardósia onde se lê em letras gordas qualquer coisa como: “Não só ousei parir um puto, como ainda peço ao pai, à mãe e à sogra, que o vão buscar à escola”.  CONDENADAS! 

Não vou dizer que nunca tal coisa me passou pela cabeça, porque já passou! Às vezes (muuuuito às vezes) quando penso na possibilidade de acrescentar uma criancinha ao mundo , dou comigo a duvidar da capacidade de exercer essa função paralelamente a uma outra, que ADORO e da qual não quero abrir mão… a minha vida profissional!  E isto mexe-me com o sistema, claro está. Que uma pessoa não quer ganhar o Prémio Nobel da Procriação , mas também escusa de ficar em último lugar nas olimpíadas da maternidade. É só uma vergonha!!!! 

“Ahhhh nada temas, quando tiveres o teu menino o trabalho tona-se uma coisa absolutamente insignificante”, oiço muitas vezes.  “Ahhhh quando o sentires no colo acabam-se logo essas questões. A vontade de trabalhar, as preocupações que hoje te atormentam…vai tudo ribanceira a baixo”, dizem as mães de “quadro de honra”.

 Pessoalmente não acredito que seja assim, ou pelo menos que seja assim com toda a gente! Mais do que isso, eu não quero que seja. Comigo! Quero continuar a adorar trabalhar, porque também é disso que sou feita. Quero continuar a dedicar-me àquilo que faço, sem que para isso precise de me auto-chibatar 50 vezes por dia. Ou porque cheguei e o menino já dormia. Ou porque não estava na porta da escola. às 17h30. Ou porque os outros "meninos" vão aos sábados de manhã "cas-mães" à natação, e depois à festinha de anos da colega, onde estão a fazer pinturas faciais e é suposto passar uma tarde inteira. É isto que nos vendem, não é? 

Uma das coisas que sempre me afasta da maternidade é precisamente isto: a necessidade de cumprir uma serie de procedimentos e rituais e merdas,  para que aos olhos dos outros sejamos bons pais. Boas mães, especialmente!  Nem é aos olhos dos nossos filhos...é aos olhos dos outros pais, da família e do Instagram!!!!

Acontece que uma pessoa cresce, ganha personalidade (com a graça de Deus, que isto a idade não podia só trazer  rugas e flacidez) e começa a perceber que não tem de ser assim, e que talvez (talveeeeez) se for diferente, a maternidade não seja um universo tão distante e tão desencaixado naquilo que somos. Naquilo que sou.

Ontem, vi no youtube a entrevista de um tipo que construiu um raciocínio ultra pertinente. Defendia que “quando dizemos aos nossos filhos que temos de sair para trabalhar, explicamos a nossa ausência dizendo – a mamã tem de ir trabalhar porque precisa ganhar dinheiro, porque precisa pagar a comida, os brinquedos e as contas -  Esse é um discurso completamente errado, que contribui para que as crianças cresçam a pensar que a vida é nascer, crescer, trabalhar para pagar contas e morrer!”

Identifiquei-me muito com esta ideia, porque é exactamente nisso que acredito. O que deveríamos criar nos miúdos é a ideia de que a vida passa por encontrarmos o nosso propósito e aquilo que nos faz felizes. E viver (d)isso!  Em vez de dizermos aos miúdos que “temos de ir trabalhar, que não queríamos mas que precisamos ganhar dinheiro”, devíamos dizer-lhes que “vamos trabalhar porque somos felizes a trabalhar. Porque vamos fazer algo de que gostamos muito, tal como eles gostam de brincar nas escola”.

 

Fiquei a pensar nesta ideia e na mãe que talvez um dia, se acontecer, escolherei ser. E tranquilizei-me... 

Sei hoje com mais certeza que posso não vir a ser a mãe que está todos os dias à porta da escola, e que depois leva os miúdos a lanchar e ao parque e cenas! Mas serei certamente aquela que ensina aos filhos que temos de ser felizes, de correr atrás dos nossos sonhos...ser independentes, bem sucedidos e viver as nossas profissões apaixonadamente.

É assim que me imagino. Às vezes. Outras vezes quero só fingir que tenho 18 anos e marimbar-me no assunto. Depende. 

2 comentários

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    Elza Cordeiro 10.04.2019 11:16

    Olá Inês :) Que bom receber o teu comentário, que não levo NADA a mal. Compreendo aquilo que dizes e concordo com muitas coisas!
    Quando digo que não gostaria de abdicar da minha vida profissional (de ser Elza em prol de ser mãe) bem sei que existirão cedências... que uma criança precisa de tempo e de dedicação. Mas será que precisa de muito tempo ou de "bom tempo"?
    Quantos pais é que conheces que vão buscar os miúdos à escola, chegam a casa e espetam-lhes um tablet nas não enquanto eles (pais) estão agarrados ao telemóvel? Será que isso é passar tempo com eles? Acredito que o segredo está em "quando se está, estar mesmo", compreendes?

    Este é o desafio das mulheres modernas que querem ser boas mães, boas profissionais, boas namoradas, tratar da casa, tratar de si, tratar de TUDO, sempre ao mesmo tempo e num grau de exigência absolutamente irreal!

    Acredito que o segredo é deixarmo-nos de comparações e fazer o melhor que se consegue... sem nos cobrarmos a toda a hora!
    :) Um grande beijinho e obrigada.
    Volta sempre.
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