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''Eu mando uma olhadela, tu dás-me uma cigarrada''. No fundo é isto.

Se me dessem agora 50 mil euros para reconhecer a cara do vizinho da frente, não era capaz. Nem do vizinho do lado, nem de baixo, nem de qualquer pessoa que viva aqui no prédio. Sei que há cães a dar ''cum-pau'', até porque o cheiro a ''bafo canino'' está entranhado no elevador,  mas e o resto? Não faço a mais pequena ideia. Podia ser o Papa Francisco a descer comigo de manhã, que ainda assim não daria conta. Juro.

Isto para dizer que nenhuma cara me é familiar. São sempre todos novos no bairro, acabadinhos de chegar, mesmo que lá vivam desde o tempo da Maria Mijona! 

Há dias, estava a estacionar, quando o senhor arrumador (que me deve achar tão aselha que já nem tenta orientar a manobra), vem ter comigo não para pedir a maldita ''moediha'' , mas para me cumprimentar: ''Então vizinha, boa noite. Como é que vai isso? Mande lá um forte abraço ao seu namorado''. 

Oi? Parei na hora!  ''Como é que o senhor sabe quem é o meu namorado?'', perguntei já a achar que o homem me andava a observar há semanas, a decorar os meus horários, e a preparar-se para me apanhar sozinha em casa, entrar pelo terraço e apoderar-se do meu corpinho santo!!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

''Ora como é que sei...porque tenho olhos na cara, não?''. Respondeu. 

O senhor arrumador (isto contado pelo homem, porque eu nunca tinha reparado) está ali, naquele mesmíssimo lugar, todos os dias, há pelo menos um ano! É por isso natural que saiba quem somos. Faz sentido.

Mas então e o ''mande lá um forte abraço ao seu namorado'', como se tivessem feito tropa juntos ou fossem ''compinchas'' de futebolada ao Domingo?

 É simples. De vez em quando (aposto que é quase todos os dias) o homem dá-lhe um cigarro ou outro. Em troca, o ''amigo do peito'' vai deitando um olhinho ao carro dele, e pelos vistos ao meu também! Tudo muito lindo, muito certo, não fosse agora achar que tem ali, mais do que um dealer, um BFF para a vida! 

Desde esse dia, sempre que me vê chegar, mesmo que esteja na outra ponta da Avenida, levanta o braço e grita ''bom dia vizinha! Que tal vai a vida? E o namorado?''. 

 

E eu lá respondo que ''vai indo'', e lá fico de mandar '' aquele forte abraço'' ao homem.

Resumindo e concluindo: posso não fazer ideia quem dorme aqui na porta ao lado, mas sei exactamente quem controla os esquemas na rua. Quem domina o parquímetro! 

Tenho cá para mim que um destes dias o ''vizinho'' nos propõe sociedade no ''business'' da arrumação. E olhem que era capaz de nem ser má ideia.

 

Love*
Elza