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"Poderia querer dizer que somos a fatia do meio na torrada. Mas não quer".

Já lá vão uns meses valentes (e para aí menos 20ºgraus) desde que recebei mensagem de uma leitora/conhecida a sugerir que abordasse determinada questão aqui no estaminé. E assim nos “de repentes” da vida,  senti-me uma pequena Gary Chapman (famosos conselheiro matrimonial) pronta a ajudar toda uma ala feminina, ainda que poucas vezes me tenha visto “enleada” no novelo de que vos quero falar. 

 

"Elza, escreve sobre aquela fase da vida em que tu és sempre a mulher transitória, e não a pessoa para ficar". 

 

Como já disse, não sou a pessoa mais experiente na matéria, mas também vamos lá ver... quem nunca?! Quem nunca foi aquela ponte entre o amor falecido e o que ainda está por vir? Quem nunca esteve na posição de usar, ou ser usado, numa espécie de “entretenga”,  até aparecer uma coisinha melhor pelo caminho? Todos nós, pois com certeza. 

Apesar de muitas vezes sermos apanhados na curva, acredito que quando começamos uma relação, beemmm láaaa no fundo,  todos sabemos se o outro está ali " apenas para dar uma voltinha nos jardins do nosso coração", ou se quer construir “alta moradia” no bairro do amor, já cantava nosso Jorge.

Até podemos fingir que não, repetir de dentro para dentro que é “p´ra vida toda”, mas nas catacumbas do pequeno órgão vital….todas sabemos no que nos estamos a meter!

Afinal, há lá bicho mais “rato” do que a mulher? Mais perspicaz? Mais atendo aos detalhes? Mais abelhudo?Não há! 

Sabemos mas não queremos ver, nem sentir, nem acreditar… porque por muito que eles não nos digam que nos amam, que não queiram conhecer a nossa família, ou que volta e meia desapareçam por um dia ou dois, recusamo-nos a aceitar que possamos ser "carrinho desenrasca, económico e chocalheiro" enquanto não há orçamento para investir num Mercedes!

É mais fácil acreditar que eles não estão preparados, que querem ir devagar, que são um espírito livre e que precisam de espaço… do que interiorizar que eles querem isso tudo, só não querem connosco! 

Não me interpretem mal. Eu não vejo nenhum problema nas relações transitórias e desprovidas de investimento. Pelo contrário. Acho que são despreocupadas, dão pouquíssimo trabalho, e que todos deviam viver uma aventura leve(zinha) pelo menos uma vez na vida!

Desde que "ambos os dois" estejam cientes de que é disso que se trata, o que raras vezes acontece. O que mais se vê é um perdido de amores, a pensar em conta conjunta, férias em família, e alianças gravadas, enquanto do outro lado existe alguém a deixar "a coisa correr" . Sem planos, sem promessas, e quase sempre sem depois.

 

Escusado será dizer que nós mulheres somos na esmagadora maioria das vezes a parte que se escangalha. Que amachuca, que sofre os três sofridos. 

Nós, que nos “pelamos” por floreados e rococós! Que escavamos a cova da esperança até encontrar água!!! Que nos convencemos de que estar no meio também pode ser bom, como se da fatia do meio das torradas nos tratássemos.

 

"Só que não", já diz o outro.