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Posso já reclamar a minha parte da herança? É coisa pouca, vó.

Se há parte deste corpitxo que Deus me deu que NUNCA, em tempo algum descuidei, foi os dentes. Eu sou aquela pessoa que bate o olho no individuo e manca logo o dente! Que não aguenta aquela camadinha básica de ''surrapa'', que muita gente tem ali junto à gengiva, e que claramente é falta de escova (às vezes pode ser um problema qualquer, vá, mas na maioria dos casos é mesmo badalhoquice). 

E não sou propriamente a miss tridente, nem tenho o ''teclado'' maí lindos do pedaço, mas também não me posso queixar!  Isto graças a quase quatro anos de aparelho ( e olhem que naquela altura não era fixe ter boquinha de arame farpado), e muita esfrega toooodo o santo dia. 

Assim sendo, à parte do aparelho (que a minha mãe pagou, e que por isso não conta), nunca gastei muito dinheiro em dentistas, e as minhas consultas resumem-se sempre a limpezas e destartarizações... ou melhor, resumiam-se! 

 

Isto porque, há coisa de dois meses, comecei a sentir uma pressão manhosa no maxilar inferior. Que começou a aumentar, a inchar, a magoar... e quando já sentia uma pequena bola saltitona no interior da boca, resolvi ir ao dentista... certa de que seria qualquer coisa parecida ao que aconteceu a uma amiga nos tempos de escola:  descobriu um chocapic INTEIRO, entre os dentes, numa consulta chamada ‘’sinto ali uma pressão entre os dentes de trás’’. MEDO.

Enfim,  lá fui. E senhores, que nem vos digo, nem vos conto. Sai de lá com a alminha em prantos. Pois bem, o que a pessoa tem é tão somente uma infecção grave e merdosa (que por não doer nunca foi detectada)  na raiz do dente X, que apanhou o Y, e quase que chega ao Z…  que assim de repente exige desvitalização/ tratamento, e tantas outras coisas acabadas em ‘’ento’’ tipo ‘’empobrecimento’’!

Porra que tratar dos dentes em Portugal custa os olhinhos da cara, e mais um rim!  Não se aguenta.

 

Ora pensem comigo: de que é que uma gaja precisa ao regressar de viagem, tesa que nem um carapau? De uma centenas de euros despejadas na conta do dentista, pois então! E ainda perguntei à xôdotora se dava para me fingir de morta, já que não tenho dores nenhumas, apenas inchaço. E ela diz que sim, que dá perfeitamente… Assim como mais tarde, infectada até aos ossos, dá para arrancar a cramalheira toda e correr a boca toda a implantes. E apeteceu-me muito chorar, pedir que arranque esta merda toda, sim,  mas  que em vez de implantes despachamos a conversa com uma placa removível!! (Só que depois lembrei-me da primeira vez que, por acidente, vi a minha rica avó tirar os dentes na casa de banho, e do choque que senti ao perceber que ‘’eram a fingir''. Desisti da ideia). 

 

Resumindo e concluindo: estamos em modo ''depenada'', mas continuamos na luta! Certas de que tudo vai passar e de que não tarda muito estou novamente de rabinho sentado num avião, pronta a partir para as Américas da vida. Quando?  Não faço ideia... mas isso agora também não interessa nada.. 

 

 

Contudo, avozinha, quando fizeres testamento, deixa-me os dentes, sim? Pelo sim, pelo não, só mesmo por cautela. 

 

Love*

Elza 

 

 

 

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