Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

POST RECUPERADO

Escrevi este post num outro blog. Neste blog, de que gosto muito, e que ainda espero recuperar um destes dias. 

Hoje começa a Primavera e não encontro palavras mais cheirosas do que estas. Palavras minhas, de que já nem me lembrava. Nem do cheiro. Nem de nada.

 

 

 

''Quando fores à praça traz-me a Primavera. Num saco. 
Deixa-a junto à porta, atrás da porta, 
para que tropece nela ao chegar a casa. 
Para que caia sobre ela de joelhos.
Traz-me a Primavera. Toda a que encontrares...
a mais fresca e a mais viçosa. 
Não olhes ao preço, faz como te ensinei:
apalpa, cheira...atira-a ao ar! Mas traz-me a melhor. 
A maior e a mais bonita.
Traz depressa. Traz toda. 
Deixo-te dinheiro à entrada, na mesa, debaixo do telefone.
Não sei se chega... tudo custa os olhos da cara. 
Mas se não for suficiente, deixa os discos no prego. 
O relógio que te ofereceste .
 As luvas de pele que o Natal te deu.
Mas traz-me a Primavera. Embrulhada, mas mal....
Para que eu possa deixar cair pedaços no chão ao abrir o saco, 
para que possa espalhar-se pela sala como grãos de açúcar 
a escorregar pela cozinha.
Leva os restos do cinza e da lã, 
as meias e o roupão. 
Ah, e os sacos de lixo que separei no corredor.
Leva-os lá para fora, entrega-os a quem quiseres. 
A quem pedir. Livra-te deles.
Traz-me a Primavera, logo que vejas 
este bilhete.
Mal ouças o grito da vendedora.
Traz-me a Primavera.''
Love, Love, Love

1 comentário

Comentar post