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Que se lixem os emoji. A malta precisa é de abraços.

Se à nascença tivéssemos a possibilidade de escolher qual o “modelo de alma” que queríamos, era tudo muito mais espectacular! Juro-vos que me estou nas tintas perante a hipótese de poder escolher a cor dos olhos, a largura das ancas, ou até os níveis de inteligência.  Aquilo que eu queria mesmo, mesmo, mesmo,  era poder  escolher uma "alma mona".  Sim, sim, leram bem. O que eu gostava era de viver numa alma pachorrenta, que não desse pena nem paixão, assim estilo criancinha aborrecida, que passa dias inteiros no sofá mamando oreos e jogando playstation. Sabem? Era uma alma dessas que eu queria. A vida toda! Queria ser uma pessoa com poucas arrelias internas, com poucas angustias e vazia de ansiedades... queria encher o instagram de hashtags #tranquilidade, #plenitude e  #equilíbrio. Queria tanto! 

Porém, Deus Nosso Senhor achou que esse "à vontade do freguês" já era esticar a corda e gritou lá de cima, dos seus sagrados aposentos:   "Mamas com aquela que te calhar e escusas de te queixar que ganhas as mesmas. Não há cá trocas". Fim de história.

Pois para minha pouca sorte, saiu-me uma desgraçada de um alma hiperativa, ansiosa, que vive em constante cobrança e  sabotagem. E cada vez mais me convenço que esta merda da angustia é a causa da morte de muito boa gente....será a cidade que nos faz isto? Ou será que somos só nós? Eu acho que "é nóis"! 

E poderia passar horas explicando as 30 mil questões que me percorrem a moleirinha todos os dias, e que me impedem de viver num modo: “YOGA” matinal / pó(zinho)de matcha/ spirulina-cenas-coiso/  florzinhas e  escovas de dentes de bambu ... mas vou poupar-vos o aborrecimento.

Meus amores...aquilo que ultimamente me cria “bolhinhas efervescentes” no coração chama-se culpa. Culpa  por não ter tempo para as minhas pessoas queridas. Culpa por não estar com elas. Para lhes ligar a perguntar o que é vão almoçar (quem me conhece sabe que é a minha pergunta favorita), ou só para dizer olá. Culpa... sem culpa nenhuma! 

Mas também, quem me manda a mim ter o pequeno órgão vital atafulhado de gente? Ninguém. "Ahhhhh isso são tudo conhecidos, isso são pessoas de circunstância!", dizem vocês, que toda a vida ouviram dizer que os amigos se contam pelos dedinhos de uma mão. 

Na vossa vida não sei, mas na minha, cabe muita gente de quem gosto muito! Gente com que gosto de estar, de quem gosto de saber.... cabe ainda muito trabalho, muito projeto, muito trânsito, muita merda para tratar... e muito pouco tempo!  

No outro dia o meu irmão enviou-me um sms a contar uma cena importante. E eu dei-lhe na cabeça por estar a enviar uma mensagem quando poderia perfeitamente ligar. Quando poderia esperar por estarmos juntos. Respondeu-me que tentou... mas que eu estava sempre ocupada, sempre em reunião, sempre a gravar, sempre a correr. Ele tem razão! Nessa noite, o meu subconsciente fez-me sonhar que estava a casar e a enviar emails. Que não tinha tratado de nada porque tinha estado a gravar um programa na madrugada anterior... isto quer dizer alguma coisa! 

Há dias, marquei finalmente um café (apressado) com uma amiga que não via há 6 anos. Desde o dia do seu casamento! E vocês perguntam “ah, ela vive longe, é?”, “ah, têm vidas muito distintas, é isso?" Não. Vivemos ambas em Lisboa. Trabalhamos em áreas relativamente próximas. Então qual o motivo para deixar passar meia dúzia de anos?  Pois que não sei. E a resposta " o motivo é a própria vida", parece-me cada vez menos certa. Mais desculpa barata! 

Acho que o instagram e o Facebook, o whatsapp e o diabo a quatro,  nos criam uma ilusão de proximidade que faz com que achemos que estamos próximos uns dos outros. Acho que a frase “ temos de combinar” é uma promessa que raras vezes se cumpre, e que se prolonga nos meses e nos anos.

Quando nos sentámos a conversar, tudo tinha acontecido na vida de cada uma.  E onde é que nós estávamos? Estávamos a enviar emails. Estávamos no telemóvel. Estávamos nas compras, no trânsito.... estávamos a prometer "um dia marcar qualquer coisa". 

Vivo cada vez mais nesta ansiedade de querer dar atenção às pessoas de quem gosto e sofro por não conseguir. E juro-vos que não me importava de mandar para dentro 3 litros de cafeína todos os dias, se isso significasse pôr "os cafés" em dia. 

 Não sei isto também vos apoquenta mas a mim espreme-me o coração. E faz-me andar sempre apertada. Com uma bola no peito. Valham-me os corações e os emoji fofinhos,  que sempre são rápidos de enviar e que de uma forma atabalhoada relembram as pessoas que existo e gosto delas.

 

Porra o que é que eu estou aqui a dizer? Que se lixem os emoji. A malta precisa é de abraços.  

 

Elza. 

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