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«Quero ser solteira. Mas contigo...»

Foi a frase que li há dias, já nem sei bem onde, e que me fez sentido enquanto resposta a esta ''desavença interior'' que me atormenta a alminha sempre que penso nela. 

Para vos ser franca, e correndo o risco de ser mal interpretada, preciso dizer que nem todos os dias tenho a certeza de que a vida que tenho seja a vida que quero, ou se é antes aquela que nos ensinam que ''é bom querer''.  Sei desde que me conheço que a sequência lógica ''emprego-casa-casar-ter-filhos'' não foi feita para mim. Ou melhor, que eu não fui feita para ela. Que não me é suficiente...  Não consigo assumir a possibilidade de que a vida seja só isso, mesmo que ''só isso'' seja muita coisa. Mesmo que ''só isso'' seja o lugar onde todos (parecem) querer estar. O ponto de chegada. 

Quando me imagino no papel de mãe de família, dona de casa, a ir buscar a sopa a casa da mãe à sexta feira, ou visitar a sogra todo o santo domingo, falta-me o ar. Não, não é uma metáfora corriqueira, juro que me dói o peito e deixo de respirar por três segundos e meio!!! Ora, será isto normal?! Pergunto.

 

Não me interpretem mal. Vivo na cidade que me arrebata o coração, tenho a profissão que sempre sonhei, e partilho tudo isso com o homem que escolhi. Sou uma miúda com sorte, sei que sou.

Aquilo que me atormenta é a forma como toda a gente parece querer que se viva o amor (desde que fomos viver juntos então, nem se fala). Apavora-me esta coisa de ter de ser como toda a gente é. De cumprir os requisitos que as ''relações sérias'' exigem. 

 Dou por mim a arder por dentro quando me dizem coisas como ''então mas não vão juntos? Então mas não são um casal?Não assumiram uma vida?''. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

 Não consigo . Não quero ter de fazer, ter de estar... porque ''já se sabe que há coisas que mudam para sempre quando se assume uma relação''. 

Assim, é-me fácil repetir a frase ''quero ser solteira... mas contigo''. Porque é mesmo isso que quero. Quero manter a minha vida, a minha liberdade, as minhas particularidades, e sentir que ele também usufrui da mesma sorte. Dá mesma liberdade.

Em breve o homem vai viajar sozinho. E não imaginam o quão feliz me sinto por saber que vai.  Que depois volta para mim, com coisas para me contar, com sorriso na cara e com leveza no espírito.

 

«Quero ser solteira...mas contigo». E isto parece tão simples e tão normal dito assim, mas depois revela-se tão errado aos olhos dos outros. 

 

«Quero ser solteira...mas contigo». Ser passarinho. Ir com ele quando (nos) fizer sentido. Ir sozinha, quando me for preciso. Nem que seja para me mostrar que ainda sei ser sem mais ninguém. Que ainda usufruo da minha companhia. Da minha individualidade. 

 

 

Quero ser solteira... mas contigo!

.

(Há por aí alguém a sentir o mesmo? Digam-me que sim, vá lá. )

 

 

2 comentários

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    Elza Cordeiro 28.06.2016 14:39

    Olá, Sofia! :) Compreendo o que dizes. Não tenho certeza (a vida já me ensinou que o que hoje é verdade amanhã é mentira) se quero ter filhos mas uma das coisas que temo é isso mesmo: sacrificar aquilo que sou e tornar-me apenas ''mãe''... mas acho que é possível encontrar o equilibrio! ;) um beijinho
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