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Ser menos eu? Não obrigada.

Umas das coisas que aprendi nesta ''vida-profissional-cigana'', de que já vos falei aqui, foi a conhecer os meus limites. Não a delinear o meu potencial, ou a recusar propostas porque tenho medo de não ser capaz. Isso não.

 

Há relativamente pouco tempo passei por  uma empresa que me espetou os costados contra a parede, e me testou de uma forma que nenhuma tinha testado antes. Sem mais nem menos, vi-me envolvida numa rotina empresarial (vamos chamar-lhe assim) que em muito contrariava aquilo que sou. Aquilo que defendo.

Soube desde o primeiro dia que, se queria ficar e desempenhar as minhas funções, teria de ser menos ''eu''. Senti-o. Foi-me o dito sem dizer.

Ora pois que esse é um  preço que muita gente paga todos os dias (às vezes sem se dar conta), mas que eu não quero pagar. E as palavras são exactamente estas: não-quero.

Poderia fazê-lo, porque de parva pouco tenho, e sei jogar esse jogo: uma postura semi-invisível, um ''diz que sim'' com a cabeça, uma renda paga ao fim do mês! Fácil.  Mas estaria a abandonar-me. A engolir o ''não te pago para pensar'' que me dá voltas ao estômago, e de estômago já tenho problemas que cheguem, obrigada.

 

Não é NADA fácil explicar aos outros (e aos nossos) que precisamos de trabalhar, que o dinheiro nos faz mesmo muita falta, mas que nos vamos embora. Não porque nos tratem mal, porque nos paguem mal (até recebia bem), mas porque não acreditamos nem somos acreditados. 

Foi a primeira vez na vida que disse ''obrigada mas, aconteça o que acontecer, vou embora no fim do mês''. E este, foi sem dúvida o mais importante de todos os (meus) fins.

Sai a bem, sem inimizades, sem portas batidas à força, mas saí. Não porque queira levar ''a minha a vante'', ou porque seja implacável/inflexível no meu ambiente de trabalho. Antes porque me conheço o suficiente para saber que nada tinha a dar a uma empresa que me queria roubar de mim.

 

 

Dizer que ''não'', quando é o ''sim'' que nos paga as contas, é muito mais difícil do que as palavras fazem crer. Não é como nos filmes.

Mas saberes exactamente o lado de que queres estar, o que te faz sentido, a pessoa que queres ser... essa é a sensação mais libertadora do mundo! E podia nem saber o que  fazer a seguir, ter menos ''descanso financeiro'' nos meses seguintes... mas nunca um fim me trouxe tanta paz,  nem tanta certeza, de que somos as nossas escolhas. Todos os dias. 

 

Love*

Elza 

 

Nota: Felizmente o telefone tocou, pouco depois, com nova aventura no bico.  É verdade, a vida tem sempre razão.