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Tailândia #1

Eu sei, pessoas, eu sei... o que vocês pensam quando entram aqui no estaminé é ''então a gaja vai para a Tailândia e põe-se a publicar merdas sobre a Zara, e sobre o ginásio, e o diabo a quatro? Mais valia ter ficado aqui pelas ''Caparicas'' e fazer um report(zinho) regional''. 

Vocês têm toooda a razão. Basicamente ainda não falei da Tailândia porque não vim propriamente de lá com o pitinho aos saltos. Nem às cambalhotas... nem noutras acrobacias particularmente excitantes.

E agora é aquela parte em que vocês me acham uma atrasada mental. Pausa.

A verdade, assim para começo de conversa, é que não amei a Tailândia. Pronto, disse. 

''Ahhhhhh sua ingrata, o que tu devias era ter feito praia ali na Quarteira em vez de te enfiares num avião 10 horas e picos!  Dá deus nozes...'', voltam vocês a frisar, em jeito de ataque malino, de olhos arregalados e veia a pulsar no pescoço! 

Primeiro, esta que vos escreve gosta MUITO da praia de Quarteira. É a praia da minha infância com tudo o que isso engloba. Segundo, não foram 10 horas de avião, foram quase 15.

 

Eu não ter AMADO a Tailândia não é a mesma coisa que ter DETESTADO a Tailândia. Porque eu gostei,  a questão é que a minha expectativa estava espetada lá em cima, no cume dos cumes, no topo mais topo do topo, estão a perceber? Eu sonhe a vidinha inteira com esta viagem e achei que iria ser o supra-sumo dos supras-sumos supras-sumados!!!!! Que iria voltar com uma visão da vida completamente diferente, que ia descobrir o paraíso na terra, e vai na volta não foi beeeem assim. Como em tudo na vida, isto da expectativa raras vezes dá bom resultado e quanto mais se espera pior. Verdade? Pois com certeza. 

 

A minha viagem começou em Bangkok, uma cidade que te espeta um chapadão no trombil ali logo no primeiro quarto de hora. Chegas e ficas apardalado. Pelo calor abafadíssimo, pelos cheiros, pela humidade, pelo trânsito, por tudo! A primeira coisa que me passou pela cabeça foi ''ahhh afinal já não quero brincar a isto, vamos voltar para trás''. Mas depois?  Depois habituas-te aos cheiros (mais ou menos), e à confusão e à catrefadas de tuk tuks em rali pela cidade (mais ou menos), e à comida espalhada pelas ruas (mais ou menos), e quando dás por ti até estás a gostar e não é assim tão mau. 

Acho que quem vai à Tailândia deve sempre passar por Bangkok e que vale a pena visitar, ainda que na minha opinião bastem três ou quatro dias. Adorei os templos, o Grande Palácio, a vista  lindona do Sky-Bar (onde há apenas 3 ou 4 marcas de vinho e uma delas portuguesa), mas realmente o meu conceito de cidade é muito diferente daquele. Não é a minha praia... ponto. 

 

''Então e a comida?''

Bom, a comida era a minha maior expectativa.  Eu, que não sou nada nojentinha e que me enfio na boa em tudo quanto é rolete de feira sem pensar no óleo que está lá há meia dúzia de meses, não fui capaz de provar comida de rua! NÃO FUI. É mau demais... Alimentei-me 80% das vezes de comida local mas sempre em restaurantes. Chamem-me o que quiserem, aquilo não é para mim! Pode ser incrível, saber lindamente, mas o aspecto, o cheiro...cortava-me o apetite só de olhar. 

Não posso dizer que passei fome, porque é mentira. Não posso dizer que a cultura gastronómica não é interessante, porque é. Mas não é ''a minha cena'', entendem? A sujidade, a intensidade de sabores (de que já estava à espera, claro!) mexeram muito comigo. Já deitava mercados e mercadinhos pelos olhos... NOTGOD.

 

''Pronto, a comida não foi orgasmica, mas e as pessoas?''

O melhor da viagem! Estejamos a falar de Bangkok ou das ilhas (das quais vos falarei noutro post), as pessoas são o melhor do país e aquilo que mais me impressionou em toda a viagem! A simpatia, a falta de ''manhosice''. O bem receber. O sorriso fácil e descomprometido. A alegria só porque sim.

Acho que nunca me senti tão segura em viagem como na Tailândia. Andava na rua sem problema nenhum, a qualquer hora, com o dinheiro no bolso, sem que por 1 segundo tivesse sentido que estava a arriscar. Que aquela rua era meio manhosa ou que alguma pessoa fosse mal intencionada. Aí, nada a apontar... apenas a reter aqueles sorrisos imensos, cheios de boa vontade e de verdade. São o país do sorriso e entende-se porquê. Que delicia de gente! 

 

Fico feliz por ter visitado a Tailândia antes da morte do rei. E só quem já lá esteve entende porquê. Especialmente nas ilhas, onde conheci o guia mais fantástico da vidinha toda, tive oportunidade de perceber o grau de gratidão que aquelas pessoas tinham (e terão sempre) pelo seu rei. O seu líder, a sua inspiração, o seu pastor... chamem-lhe o que quiserem. É emocionante... 

Há semanas, quando a morte do rei foi anunciada fiquei profundamente triste. E lembrei-me dos olhos daquela gente, cheios de água, a dizer que dariam a vida por ele. E nada é mais bonito do que isto. 

 

Mais logo posto algumas fotos de Bangkok... de todas esta é a minha favorita. Tirada pelo homem, no coração da cidade. 

 

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Love*

Elza 

 

 

 

 

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